terça-feira, 19 de novembro de 2013

"IPU: MOSTRA A TUA CARA"



Irmãos e irmãs, querida comunidade. Fomos encontrar inspiração em uma das músicas mais conhecidas de  Cazuza para ser o tema do nosso Congresso.

Em 1988 Cazuza cantou sua crítica ao país através da sua poesia: “Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim”. A crítica do poeta mostrava sua indignação com a corrupção, a dívida do Brasil com o FMI, a alienação do povo brasileiro. 

Desconfio que a escolha do tema foi coisa do Rev. Claudio que, conforme todos nós sabemos, usa muito da inspiração musical nos seus sermões e do presbítero Junior Amorim.  Bela escolha. IPU, mostra a tua cara.
Qual é a cara da IPU? Que cara nós temos? Qual a cara que revelamos e que mostramos? 

São 35 anos! Uma pessoa com 35 anos já formou, há muito tempo, seus traços físicos, sua identidade, já se firmou como pessoa. Pelo menos é o que se espera. E a nossa IPU? Nós somos capazes de responder que cara ela tem?

Vamos ler os textos bíblicos que nos inspiram nesta noite.
Êxodo 34.29-35 e II Co 3.17-18
O texto do Êxodo fala da segunda descida de Moisés do Monte Sinai. A primeira descida foi aquela em que Moisés se deparou com o povo rebelado contra a sua liderança  e contra o próprio Javé. Foi quando Moisés, irado, quebrou as tábuas da lei. Agora, o contexto é bem outro. Moisés não sabia, mas seu rosto estava diferente. O rosto dele brilhava. O brilho do rosto é o reflexo da glória de Deus nas pessoas. O contato com Deus deixa marcas visíveis às outras pessoas.
- a 1ª reação das pessoas foi de medo, evitaram se aproximar dele. O contato com o divino sempre tem um elemento assustador. É um “mistério tremendo”!
- a 2ª reação foi de aproximação. O medo foi vencido pelo convite de Moisés. Arão e o povo sentiram confiança para ficar perto de seu grande líder. A comunicação transforma o medo em curiosidade e, por fim, em confiança.
-3ª reação: escutar tudo que Javé havia dito a Moisés no Monte Sinai, Moisés disse ao povo as palavras de Javé tornando-os corresponsáveis pelo cumprimento. 

O texto diz que, após a transmissão dos mandamentos do Senhor, Moisés colocou um véu sobre seu rosto. Este véu era retirado quando Moisés falava com Javé e quando transmitia ao povo a sua mensagem. Por que será que ele agia assim? A retirada do véu mostrava que ele tinha uma relação especial com Deus, que se mostrava no rosto..

O povo de Israel logo sabia que Moisés havia estado com Deus porque seu rosto estava diferente, ele havia passado por uma metamorfose. Sempre que ele atuava como porta voz de Javé ele retirava o véu e mostrava seu rosto brilhante. Quando agia como um ser humano comum, ele cobria o rosto com o véu. Também a IPU pode mostrar o rosto marcado pela sua experiência com Deus!? 

A segunda carta aos Coríntios lembra a metamorfose de Moisés e faz uma crítica a todas as pessoas que ainda vivem com o véu e  recusam a mensagem do evangelho. ( Ler o v. 18). O conhecimento de Cristo e da sua vontade é algo gradual, é preciso uma retirada gradual do véu, é uma transformação, uma metamorfose. Isso se pode dizer do “espelho” no v.18: a gente ainda não vê a glória de Deus diretamente, mas indiretamente, como num espelho. Existe portanto,  um crescimento na fé, na manifestação da glória de Deus e também na capacidade de a comunidade testemunhar a sua fé através de sua vida. 

Todos nós passamos por metamorfoses ao longo da existência, Ideias e conceitos se alteram, nosso corpo fica diferente a cada dia. Será que também temos passado por uma metamorfose como resultado da nossa vida em comunhão com Deus?
Igreja Reformada sempre se reformando: Qual a cara da IPU? (Ecclesia reformata semper reformanda!)

Penso que seria muito triste se a IPU mostrasse a mesma cara que teve no início, há 35 anos. Os nossos desafios hoje são muito diferentes dos de 35 anos atrás. Ao longo destes anos, tenho escutado muitas queixas sobre a IPU, tenho visto muita gente se afastar dela por considerar que ela não cumpriu o que assumira no início. Mas falar da IPU não é falar de uma instituição abstrata e distante. Querem ver a cara da IPU? (distribuir os espelhos e pedir que se olhem)

Esta é a cara da IPU, caras diferentes, sorriso, rugas, barba mal feita, etc. São sinais de que a IPU não é perfeita, mas é diferente de 35 anos atrás.

Enquanto o nosso rosto  resplandecer o nosso encontro com Deus, vamos ser capazes de fazer muitas coisas. O encontro com Deus provoca mudanças, foi assim com Paulo, com Maria Madalena, com Zaqueu e com tantas outras pessoas. Vamos ser fieis ao evangelho de Jesus Cristo que nos manda ir ao encontro do outro, pregar as boas novas a todas as pessoas sem discriminação, seremos capazes de termos entusiasmo pelo trabalho da igreja em vez de reclamarmos, seremos capazes de buscar novas alternativas para o trabalho sem cair na mediocridade e sem negar nossos princípios. Apesar das imperfeições nós somos uma igreja que quer mostrar em sua cara, em nossa cara, a glória de Deus, consciência de que continuamos sendo igreja neste mundo, não somos crentes perfeitos, mas buscamos como igreja dar testemunho do Deus da graça através de nossa vida cotidiana. Nós somos a IPU, ela nunca será mais perfeita do que nós o somos. A crítica a qualquer Igreja,  por mais necessária e pertinente que seja, vai sempre deparar com a finitude e imperfeição dos seres humanos que a compõem.  

 Na música Brasil mostra a tua cara, depois de toda crítica, Cazuza encerra com uma declaração de amor ao Brasil e diz: “Grande pátria desimportante em nenhum instante eu vou lhe trair, não vou te trair” Eu espero de coração que nós que estamos aqui, percebamos que a IPU terá ou tem a cara que nós dermos a ela.  Não vamos buscar desculpas ou culpados se a IPU não caminha do jeito que achamos que devia. Vamos nos perguntar: como eu tenho contribuído para que a IPU tenha a cara que ela tem? Cara do desânimo, da acomodação, ou do entusiasmo daquelas pessoas que sempre buscam enfrentar desafios? 

Martin Buber, filósofo judeu que viveu entre 1878 e 1965, em seu texto “Como se conta uma história”, diz o seguinte: Certa vez um rabino foi solicitado a contar uma história e ele começou dizendo que há muitas maneiras de se contar uma história. Mas, dizia ele, para contar uma história, não basta narrá-la, ela precisa ter sido vivida. E começou: Há muito tempo eu tinha um avô. Ele tinha uma deficiência na perna e se movimentava com muita dificuldade, ele era incapaz de andar direito. Certo dia meu avô foi convidado a falar sobre seu mestre. E ele começou a dizer que seu mestre tinha um costume muito curioso, que ele costuma pular e dançar enquanto fazia suas orações de louvor a Deus. À medida que falava a respeito do mestre e do seu costume, meu avô foi ficando cada vez mais empolgado. De repente no meio da história ele se levantou e também começou a pular e dançar para mostrar como seu mestre fazia. Nem parecia aquele homem que não conseguia andar direito. Após contar este episódio, o rabino concluiu: É assim que se conta uma história.

Eu espero que a gente aprenda com o avô do rabino, que a nossa história com a IPU seja contada e vivida com tanto entusiasmo que a gente possa se transformar ao falar dela. Deus constantemente nos chama a subir ao monte para conversar com ele e está disposto a nos dar força e sabedoria para enfrentar todo e qualquer obstáculo, dando-nos, inclusive, forcas para sermos fiéis aos seus mandamentos de amor, de justiça, de paz e de solidariedade e darmos o testemunho de seu amor ao mundo.  Estamos diante de novos desafios, vamos buscar respostas e procurar, como igreja cristã enfrenta-los ou vamos nos esconder? 
 Somos chamados a revelar o brilho na nossa face que o encontro com Deus nos proporciona e que nos enche de coragem, de entusiasmo e determinação. Ainda que não sejamos perfeitos, não há necessidade de nos escondermos debaixo de um véu, vamos mostrar a nossa cara! E que o Deus que caminha conosco, nos dê ânimo e coragem! Amém.
(revda. Sônia Mota)

terça-feira, 9 de julho de 2013

ESTUDO BÍBLICO Nº 01



ESTUDO Nº 1

COMO SURGIU A BÍBLIA
E COMO CHEGOU ATÉ NÓS?

Amada(o) irmã(ão)

Antes de entrarmos nos estudos dos relatos históricos da Bíblia e conhecermos os seus livros, estudaremos como surgiu a Bíblia e como chegou até nós.

O estudo que vamos ter é introdutório das Escrituras Sagradas, para que haja uma compreensão melhor da Bíblia. Este estudo vai nos auxiliar grandemente no entendimento dos fatos da Bíblia. Apontaremos, nele, a história da Bíblia mostrando como ela chegou até nós.
A importância primeira desse estudo é que, sendo a Bíblia um livro divino, veio até nós por canais humanos, tornando-se, assim, divino-humano, como também o é a Palavra Viva – Jesus Cristo – que se tornou também divino-humano(Jo 1.1).
Deus usou a Bíblia para, com linguagem humana, falar a homens e mulheres para que pudessem entendê-lo. Por isso, a Bíblia, embora tenha um “Código Sagrado”, faz alusão a tudo que é terreno e humano(Código Moral). Ela menciona países, montanhas, rios, desertos, mares, climas, solos, comércios, línguas, raças, usos, costumes, etc. Deus veste a Bíblia com nossa linguagem para se fazer entender, pois seria impossível entender Deus com sua própria linguagem. Portanto o autor da Bíblia é Deus, mas os escritores foram os homens e as mulheres divinamente inspirados(as) por Ele(2Tm 3.16).
A pergunta à ser respondida é como a Bíblia foi formada e encontrou seu caminho, desde os profetas e legisladores de Israel; desde os apóstolos e evangelista cristãos(ãs); até nós, neste século vinte e um?
Nas suas línguas originais a Bíblia foi escrita em hebraico(Velho Testamento), com uma pequena porção em aramaico; e em grego(Novo Testamento). Seus sessenta e seis livros(Cânon Sagrado), foram escritos em vários lugares; por várias pessoas; e em momentos diferentes, por cerca de mil e seiscentos anos(16 séculos).  Inicialmente o povo escolhido por Deus para se revelar ao mundo, usava a oralidade(de pai para filho) para transmitir e perpetuar os ensinamentos de IAVÉ; o Deus criador. Esses ensinamentos davam-se principalmente nos encontros familiares. Em um ponto da história começou-se a registrar esses ensinamentos e experiências vividas entre o povo e IAVÉ. Inicialmente esses registros eram feitos em vários materiais. O papiro ou junco, que era uma planta que crescia nas margens dos rios e lagos do Egito e da Palestina, tinham suas tiras prensadas e coladas para formar os rolos de tamanhos desejados e necessários para conterem os escritos; que não eram formados e escritos como a Bíblia que temos hoje. 


Cada rolo continha um livro ou um pequeno grupo de livros como o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Velho Testamento); outro, Isaías(At3.17); outro, Ezequiel; outro, os Salmos(Lc 20,42; At 1.20); outro, os Profetas (At 7.42), e assim por diante. Estes rolos de papiro eram chamados pelos gregos de Biblion(livro pequeno) (Ap 22.18-19); seguindo de Biblos(grupo de livro), significando em latim, Bíblia. Etimologicamente falando, Os Rolos de Papiro. A palavra papiro deu origem à palavra PAPEL, inventado no século II, que hoje é usado para confeccionar a Bíblia em todo mundo a partir do surgimento da imprensa pelo alemão Gutemberg no ano de 1450. Outros materiais foram também usados para registrarem esses escritos: Tabuinhas de barro(Ez 4.1); a pedra, na Mesopotâmia, no Egito e na Palestina(Código de Hamurabi); peles de animais(pergaminhos); madeira; dentre outros.
PARA FIXAÇÃO
Agora responda as perguntas abaixo para fixar mais um pouco o que você aprendeu.

1 – Quem é o autor da Bíblia e que foram os(as) escritores(as)?
2 – Quais as línguas originais usadas para escreverem a Bíblia?
3 –Quais os materiais mais conhecidos usados para a escrita da Bíblia?
4 – Fale um pouco sobre o papiro.
5 – Qual a origem da palavra Bíblia e o que significa etimologicamente?
6 – A partir de quando a Bíblia se tornou um só livro como a que temos hoje?

FONTES DE PESQUISA:
- GILBERTO, Antonio – A Bíblia Através dos Séculos, CPAD
- BUCKLAND – Dicionário Bíblico Universal, VIDA
- GEISLER, Norman e Willian Nix – Introdução Bíblica, VIDA
- GOODSPEED, Edgard J. – Como Nos Veio a Bíblia, Impressa Metodista
- ALMEIDA, João Ferreira de – A Bíblia Sagrada, SBB, SP

No próximo estudo veremos como foi formado o Cânon Sagrado, as diversas versões da Bíblia, dentre outros assuntos.

Até lá e que Deus continue abençoando a sua vida

Pastor Percilio B. da Silva
silvapercilio@yahoo.com.br
 

Estudo Bíblico: Introdução



AMADAS(OS) IRMÃS(ÃOS)

Devido as dificuldades de, como Igreja, nos encontrarmos para juntas(os) fazermos um estudo mais aprofundado da Bíblia; e sentindo a grande necessidade de conhecermos e entendermos mais e mais sobre nossa história como cristãs(ãos), resolvi preparar alguns estudos bíblicos para, estudarmos; lembrando e/ou aprendendo um pouco mais da nossa regra de fé e prática(Sl 119.97-112; 2Tm 3.16-17).

Através de esforços humanos, para justificarem a sua fé, homens e mulheres procuram conceituar a presença de Deus e suas ações para com eles(as), dando a isso o nome de Teologia. A palavra Teologia vem do grego Theos = Deus e Logia = estudo. Estudo de Deus ou estudo sobre Deus.
Dando um conceito para Teologia poderia dizer que é uma tentativa humana de, cientificamente, objetivar a compreensão, interpretação e percepção de um fenômeno, tomando como ponto de partida a sua existência, ou seja, a partir do crer na existência de Deus; perceber, compreender e interpretar esse Deus.

DENTRE OS CONCEITOS CLÁSSICOS DE TEOLOGIA TEMOS:

TEOLOGIA NATURAL – A Teologia Natural designa uma ciência que é baseada somente naqueles fatos concernentes a Deus e seu universo que estão revelados na natureza.

TEOLOGIA REVELADA – Este termo designa uma ciência que está baseada somente nos fatos concernentes a Deus e seu universo que estão revelados nas Escrituras da verdade.

TEOLOGIA BÍBLICA – A Teologia Bíblica designa uma ciência que tem como alvo investigar a verdade a respeito de Deus e seu universo com o seu desenvolvimento divinamente ordenado e o ambiente histórico, como está demonstrado nos vários livros da Bíblia. Ela é a consideração histórica da verdade bíblica como foi originalmente dada em sua proclamação profética.

TEOLOGIA HISTÓRICA – Uma ciência que traça o desenvolvimento da doutrina e está preocupada, também, com as variações sectárias distintas (Seitas) e com os desvios heréticos da verdade bíblica que tem aparecido durante a era cristã.
TEOLOGIA DOGMÁTICA – Verdade teológica sustentada com certeza.
TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO – Assim designada por ser restrita a essa porção das Escrituras Sagradas (Antigo Testamento).

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO - Assim designada por ser restrita a essa porção das Escrituras Sagradas (Novo Testamento).

TEOLOGIA PRÁTICA – Diz respeito à aplicação da verdade aos corações dos homens e mulheres.

TEOLOGIA SISTEMÁTICA – Uma ciência que segue um esquema humanamente legado ou uma ordem de desenvolvimento doutrinário e que se propõe a incorporar em seu sistema toda a verdade a respeito de Deus e seu universo criado.

Dialeticamente a Teologia situa-se numa sequência de movimentos que terminam em Deus.
Com o passar do tempo foram surgindo novos enfoques sobre Teologia com conceitos e estruturas, resultando em novos grupos teológicos. Podemos citar: a Teologia da Cruz, a Teologia da Esperança, a Teologia da Evolução, a Teologia das Religiões, a Teologia Feminista, a Teologia Africana (Negra), a Teologia Asiática, a Teologia Índia, a Teologia da Libertação, a Teologia da Prosperidade, dentre outras.

Nessa primeira sequência de estudos iremos destacar a Teologia Bíblica; embora podemos utilizar outros tipos de conceitos teológicos.

Como já sabemos, a Teologia Bíblica tem a função de, acuradamente, interpretar os livros da Bíblia a partir dos seus relatos históricos sob uma investigação profunda. Por isso, sob a orientação do divino Espírito Santo, possamos nos abrir para as informações que aprenderemos e/ou lembraremos mais uma vez.

Obs. Não havendo entendimento ou havendo discórdias sobre os estudos ou partes deles, poderemos em momentos programados, estudarmos juntos(as) e buscarmos um entendimento comum.

MENSAGEM PASTORAL

A cada tropeço que você der em alguma pedra na caminhada da sua vida; e suportando as dores você superar e tomar como estímulo para caminhar mais uma milha, estarás provando a si mesmo(a) que pode alcançar o alvo almejado no ponto de partida.